Um coração chamado “Daniela”

Por Andrea Nogueira Lopes

Daniela nasceu em dezembro de 2005, a qual teve uma gestação e uma cesariana dentro da normalidade, sem intercorrência alguma.

Em julho de 2006, após trinta dias de internação devido a uma pneumonia, foi diagnosticada uma cardiopatia congênita, até então invisível ao exame clínico.
E precisamente aos sete meses de vida, Daniela foi submetida a uma demorada cirurgia, com histórico de paradas cardíacas, dias de U.T.I., enfim, uma recuperação complicada e difícil. 

Ao receber alta hospitalar, passou por uma criteriosa avaliação neurológica e descobriu-se que era portadora da síndrome de Down, pois seus sinais sindrômicos não eram tão evidentes.

Desde então, Daniela vem sendo estimulada ininterruptamente com sessões de terapia ocupacional e fonoaudiologia. Quanto à fisioterapia, teve alta quando começou a andar aos dois anos de idade.

Atualmente, aulas de capoeira, ballet e natação fazem parte do seu dia a dia. Além disso, estuda em tempo integral em uma escola inclusiva, levando uma vida perfeitamente normal.

Hoje, Daniela é uma mocinha linda, sapeca, inteligente e sempre com um sorriso a nos cativar.

Transborda alegria! É um exemplo de coragem, superação e vitória. Até parece que aqueles dias sofridos de pós-operatório nunca existiram. Porém, para nós, mães, esses dias são marcantes. São feridas que levam tempo pra cicatrizar. Como queríamos estar no lugar dos nossos filhos! Ao vê-los na U.T.I., sozinhos, indefesos, inertes, reféns do destino, dos desígnios de Deus. Nos questionamos, ora com resquícios de revolta, ora com serena humildade, o porquê. Nas lágrimas encontramos refúgio, consolo, mesmo longe de quem possam vê-las. E, realmente, não gostamos de compartilhá-las, pois queremos ser fortaleza sempre.

Nossas vidas mudam completamente. Nossos filhos passam a ser nossa bússola. Valorizamos mais um simples ato de brincar, correr, pular. Aprendemos a ter coragem e arriscar, pois estamos aqui de passagem. E principalmente, aprendemos a ter fé e esperança, sempre refletidas em um coração de criança.

Andrea Nogueira Lopes, mãe da Daniela.