Um olhar sobre dois corações

A vivência com crianças com cardiopatias congênitas permite compreender que este adoecer extrapola o ser que abriga a doença. Desde os pais, há disseminação da dor e do sofrimento e cada grupo familiar reage na dependência dos seus valores culturais.
O foco sobre dois corações, “mãe-filho”, revela que a cura  não passa  apenas pela reparação do defeito cardíaco. O coração gerado anatomicamente imperfeito desconstitui o imaginário do filho ideal. O real, “doente do coração”,  mesmo quando tratado, alimenta o sofrimento da mãe, por meio do símbolo tatuado no peito, a cicatriz.
Assim, definir cardiopatia congênita como uma anormalidade da estrutura ou função cardíaca ao nascimento não alcança toda dimensão da doença. Comporta-se, portanto, como uma formação incompleta do coração, revelada já intraútero que pode causar influência no bem-estar de outrem, notadamente na mãe.
Aumentar o saber sobre o tema é buscar melhorar competências no cuidar, é compreender que a cura pode não acontecer, mas é possível vida com qualidade, que as marcas são símbolos de superação, que há respostas que aliviam o sofrimento e que a perda, em dado momento, pode ser inevitável.
Aos fortes, a luta!

Valdester Cavalcante.

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Um comentário em “Um olhar sobre dois corações

  • 02/05/2016 em 22:24
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    Em breve será lançado a Segunda Edição do livro: Quando um Coração Pulsa para Dois pela Editora da UECE. O livro está disponível em forma de e-book. Todos os interessados no assunto terão acesso gratuitamente pelo site da editora. Aguardem!!

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