João Raphael: fé e esperança

Por Fernanda Jucá

Em 10 de julho de 2012, numa terça-feira, nasceu o meu guerreiro, João Raphael. Durante sua gestação cheia de altos e baixos, ele foi meu companheiro em todos os momentos.

Ao nascer, o bebê não chorou. Ele não estava arroxeado, mas estranhei o fato dele não ter chorado. Perguntei ao obstetra o que estava acontecendo e ele me disse que estava tudo bem e que a enfermeira havia levado o bebê para a assepsia. Finalmente pude ouvir seu choro, respirei aliviada e me rendi aos efeitos da anestesia, então adormeci.

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João Raphael

Lembro-me de tê-lo chamado a noite toda e não obtive resposta e nem contato com meu filho. Meus familiares que me acompanhavam respondiam somente que ele estava para chegar ao quarto. Amanheceu. Quando acordei, não vi meu bebê ao meu lado no bercinho. Foi minha cunhada quem me deu a notícia de que ele havia sido transferido para o Gonzaguinha da Barra do Ceará, pois precisava ficar no oxigênio. Eu não tinha ideia do que estava por vir, mas desde já, me agarrei em Deus para que eu pudesse suportar toda essa tribulação. Meu filho primogênito tão desejado estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe.

O neonatologista disse ao meu marido que o nosso bebê tinha que ficar por 24 horas no oxigênio e depois que retirassem o aparelho observariam como nosso filho reagiria. Foi retirado o aparelho, nosso filho ficou cansado e foi auscultado. Na ausculta foi detectado um sopro no coraçãozinho dele e que por esse motivo ele deveria ser transferido para o Hospital Infantil Albert Sabin para que fosse feito um ecocardiograma.

Já era sexta-feira dia 13 de julho e eu ainda não tinha tido o prazer de segurar meu bebê nos braços. Recebi alta da maternidade e fui acompanhar esse exame. Chegando à sala dos exames foi que pude segurar meu filho pela primeira vez, então que tive a pior notícia de toda a minha vida, meu filho tinha um sopro no coração gravíssimo e teria que ser operado para viver. Começava então a nossa luta.

Passei a acompanhar e procurar saber tudo que eu pudesse sobre essa cardiopatia congênita do meu filho. Todo medicamento que era aplicado nele eu queria saber a finalidade. No início meu bebê ficou no oxigênio, porém sua respiração foi normalizando e eu via isso como progresso e na realidade era, até que num sábado à noite, meu filho convulsionou. Entrei em pânico. No dia seguinte, no domingo, ele foi transferido para a CTI. Foi um terror. Eu não podia acompanhá-lo, pois a minha cirurgia não me permitia já que não tinha espaço para acomodações e era muito desconfortável. Quando não estava no horário das visitas, eu estava na porta do Hospital de Messejana tentando conseguir a transferência do meu filho. Até que no dia 6 de agosto de 2012 foi feita a transferência.

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João Raphael e família

Quando chegamos ao Hospital de Messejana na segunda-feira à tarde, o João Raphael já ficou internado na UTI, onde eu poderia ficar com ele somente nos horários de visita, mas mesmo assim, eu estava aliviada, pois muito em breve levaria meu guerreiro para casa. Na semana seguinte, meu filho foi operado. Uma cirurgia de sucesso, graças a Deus e a brilhante equipe médica que participou de toda a recuperação dele. Cercado de muita atenção e cuidado, a recuperação do meu filho, foi mais rápida. Esse meu desejo esperou por mais 21 dias e no dia 27 de agosto de 2012 pude finalmente levar o João Raphael para casa e desde então tenho me dedicado a cuidar dele. Larguei o emprego, tivemos outro filho o João Gabriel, cheio de saúde.

Hoje, com 4 anos, João Raphael surpreendeu à todos com a sua maravilhosa recuperação. Embora tenha que se submeter a outro procedimento cirúrgico, o que nos deixa ansiosos, temos confiança na equipe médica, somos felizes por tudo que vivemos ao lado dele e estamos mais fortes e esperando em Deus para dar todo apoio que o João Raphael precisar de nós.

Obrigada Senhor Jesus por todas as graças que tens derramado em nossa vida!!!

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